Recebi um e-mail, dia desses, de uma pessoa que estava interessada em estudar bruxaria. De uma maneira super formal, ele perguntou se eu conhecia quem pudesse ensiná-lo - pelo menos foi isso o que eu entendi.
Fiz o que eu achei que era meu papel: indiquei lugares onde há cursos e palestras. Ainda disse que há material interessante na internet se ele souber procurar em lugares confiáveis.
Não sei o que a pessoa esperava, mas me respondeu dizendo que não concorda em pagar para aprender magia, pois é um conhecimento divino. Ele buscava alguém que não pedia compensação financeira.
Eu respondi, novamente, dizendo que alguns grupos praticam entre si, de forma fechada, e não cobram. Mas, também, dificilmente aceitam gente nova e desconhecida em seus círculos. E que, talvez, se ele tivesse sorte, alguns desse círculos o aceitariam.
Não sei se ele gostou ou não. Mas sei que ele veio com uma história de que o Pai Divino encaminharia a coisa certa no momento certo - ou algo do tipo - e, por essas e outras, não achei o discurso muito condinzente com quem transita nesse meio.
Não é a primeira vez que isso acontece. Gente que vem por e-mail, por msn, por orkut, pedir orientação e tal. Ok, a gente ajuda. Passa um site, indica um livro, diz onde tem palestra. Mas alguns querem ter grupo, querem ser ensinados presencialmente, com treinamento e iniciação.
Acho que as pessoas pensam que eu faço parte de um coven. Ou, ainda, que eu poderia ensinar os outros. E não gostam quando eu digo que não é bem assim e que eu não tenho bagagem para ser mestre de ninguém e que, mesmo que tivesse, é uma grande responsabilidade que eu não estou pronta para encarar.
Sei lá... ando meio de bode dessas coisas virtuais e incidentes como esse - que você tenta ajudar e a pessoa reclama porque não era bem isso o que ela queria - só me fazem refletir ainda mais o papel da internet e de como, apesar do lado bom de unir e trocar, ela tem um lado esquisito de fazer as pessoas tomarem certas liberdades que me incomodam.